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01/12/2018

Fuvest repete questão de matemática que caiu no vestibular de 1994

 

 Fuvest repete questão de matemática que caiu no vestibular de 1994, dizem professores
 Coincidência causou surpresa aos docentes. Enem 2018 também trouxe, em prova de matemática, questão aplicada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 2013.

 Professores de cursinhos apontaram que uma questão de matemática da Fuvest 2019 realizada neste domingo (25) foi igual a uma questão da prova realizada na edição do vestibular Fuvest 1994. A coincidência causou surpresa aos docentes. Veja a questão:
"Em uma família, o número de irmãs de cada filha é igual à metade do número de irmãos. Cada filho tem o mesmo número de irmãos e irmãs. O numero total de filhos e filhas da família é?"
O enunciado apresentava semelhança com o da prova promovida há 25 anos.
"Um casal tem filhos e filhas. Cada filho tem um número de irmãos igual ao número de irmãs. Cada filha tem o número o número de irmãos igual ao dobro do número de irmãs. Qual é o total de filhos e filhas do casal?"
A diferença principal eram as alternativas. 

“Foi uma surpresa para a gente, porque a questão tem exatamente o mesmo enunciado. Exercícios parecidos sempre acontece. Inspiração acho que não foi. Colocar o mesmo enunciado, sem mudar absolutamente nada é impossível. Eles mantêm o mesmo padrão de exercícios de provas anteriores, mas fazem mudanças consideráveis”, disse o professor Moisés Rodrigues, do cursinho da Poli.
Rodrigues disse que a prova teve questões clássicas sobre sistemas e duas de incógnitas e de funções. “Sobre a prova em geral, não foi exigido temas que apareciam em provas anteriores, não teve nada de geométrica analítica, não tem nada de polinômios, de trigonometria.”
O professor disse que geometria plana e espacial são temas recorrentes. “A surpresa mesmo foi a falta de geometria analítica.”
Segundo ele, “uma outra surpresa foram questões de análises de gráficos e que os alunos não precisariam fazer conta, se ele olhasse o gráfico já teria condições de responder, isso se aproxima um pouco do Enem. Logaritimo é sempre cobrado e apareceu neste ano, mas com complexidade abaixo dos três anos anteriores”, finalizou Rodrigues.

'Ctrl C e Ctrl V'

O professor Eduardo Jesus, dos cursinhos Hexag e Cursinho da Poli, concorda com o colega ao analisar a prova da Fuvest deste ano. “Teve uma questão repetida, o Enem também fez isso. É a Fuvest copiando a Fuvest. Não acredito que enfraquece, mas não é uma coisa comum de acontecer em prova da Fuvest. Essa foi Ctrl C e Ctrl V (copiar e colar). Pergunta clássica sempre tem, mas não é o caso.”
Sobre a questão repetida de matemática, o professor disse que os alunos podem ter tido facilidade em respondê-la. “Eu mesmo já usei essa mesma questão em sala de aula com meus alunos.”
Segundo ele, a prova de maneira geral, não surpreendeu. “Faltou geometria analítica, matriz não caiu, estava parecida com o Enem. Surpreendeu pelo que não caiu nessa prova, faltou também número complexo e polinômios.” 
Candidatos fazem prova da Fuvest na FEA-USP — Foto: Celso Tavares/G1
Candidatos fazem prova da Fuvest na FEA-USP — Foto: Celso Tavares/G1
Jesus acredita que a prova deu chances iguais para vestibulandos de diversas aéreas. “Essa prova foi mais universal. Então, a prova de matemática tem de dar chance para todo mundo. A prova teve igual dificuldade para quem vai fazer letras ou engenharia. Agora é esperar a segunda fase, que aí sim será mais específica.”
De um modo geral, Jesus acredita que a prova facilitou a vida do vestibulando. “Teve as questões de probabilidades, achei uma prova honesta, fazível. Foi uma prova mais fácil que nos últimos anos. Sempre as provas de matemáticas são as mais difíceis, mas acredito que a prova de matemática desse ano não deve ter surpreendido.”

Sem pegadinhas

Segundo Vera Lúcia Antunes, coordenadora pedagógica do Objetivo, a "prova da Fuvest tem uma tradição de ser inteligente, sem pegadinhas, não tem dúvida, ou sabe ou não sabe. Exigiu formação, domínio de conceitos, não importa a disciplina."
Para ela, a prova inteira foi apoiada em conteúdo que o aluno aprendeu no ensino médio. "Geografia é a que é mais foi interdisciplinar, fugiu daquela geografia antiga, pediu capacidade de interpretar gráfico, tabelas, imagens. Um aluno preparado fica feliz com uma prova assim."
Vera Lúcia disse também que “a prova como um todo premiou o aluno que estudou. Não é uma prova dada de graça, teve de pensar. Física teve duas mais trabalhosas, mas foram questões médias, os alunos conseguem fazer facilmente. Em compensação, biologia foi uma prova bonita, tradicional, sem novidades. Química da mesma forma, não tive um grau de dificuldade grande.”
Sobre a questão repetida de matemática, ela disse que “é uma coisa que a Fuvest tem de resolver. Essa de matemática repetida não prejudica o todo. O raciocínio é o mesmo, mudou uma coisa ou outra, mas é a mesma coisa.”
Ela finalizou dizendo que “a prova de inglês foi bem atual, apresentou um texto difícil, mas teve uma abordagem reflexiva. Português exigiu reflexão crítica em literatura, foi difícil, complexa, não é fácil para o aluno, mas quem está preparado consegue fazer.”
A edição 2018 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) trouxe, na prova de matemática, uma questão que já havia aparecido em outro vestibular, aplicado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 2013.

Cumpriu missão

Daniel Perry, coordenador do curso Anglo, disse que a prova da Fuvest foi "elogiavel, em alto nível que cumpriu a missão de seleção dos mais preparados".
Para ele, "no geral, a gente tem de elogiar a banca da Fuvest. Foi uma prova bem elaborada, com enunciados claros e precisos, prova abrangente e criativa. Essa criatividade da Fuvest é marcante, por exemplo, matemática teve uma prova bonita, elogiável, porque trouxe questões contextualizadas, exigia raciocínio e interpretação." 

O coordenador falou que a prova de química foi bastante "conceitual, ao invés de focar em cálculo, preferiu abordar conceitos. Foi uma prova difícil." 

Perry falou que a repetição da questão aplicada na prova de 1994 da Fuvest não desmerece a avaliação. "De toda forma, não desqualifica o exame, porque foi considerado criativo."
Nas questões de português, ele considerou mais fácil que as do Enem. "Literatura foi mais complexa, porque exigiu conhecimento e fazer correlações entre elementos. Geografia foi uma prova bem abrangente, com temas clássicos, atuais, com destaque para a qualidade das ilustrações." 

Perry afirmou ainda que prova de história foi abrangente e com questões bem elaboradas. "Três questões tinham fontes visuais, em uma dela pedia conhecimento da obra expressionista e isso não é comum. Biologia não deixou de conversar com a atualidade, foi interdisciplinar incluindo temas de física e química."

Exigente e conteudista

O diretor do Poliedro, Rodrigo Fulgêncio, disse que a "Fuvest 2019 se manteve no mesmo padrão dos últimos anos, ou seja, foi uma prova muito exigente e conteudista."
Para ele, "foram questões que exigiam mais do que uma simples interpretação de texto, ou seja, o aluno precisa ter estudado de maneira profunda o conteúdo programático do Ensino Médio. As questões foram bem objetivas, claras e com enunciados sucintos."
Fulgêncio avaliou que as questões de exatas se manteve em "altíssimo nível". "Normalmente a matemática é a matéria cuja média é a menor entre todas as disciplinas, e isto deve se manter este ano. A distribuição entre os tópicos foi muito boa em todas as disciplinas, portanto foi uma prova bem abrangente, o que leva a um elevado índice de discriminação." 

O diretor afirmou ainda que a grande incógnita ainda é a nota de corte. "Um ponto importante de ressaltar é a dificuldade em prever notas de corte, que é uma grande preocupação dos vestibulandos neste momento. A nota de corte não depende apenas do nível médio da prova, mas também da dificuldade de cada questão, do nível dos candidatos deste ano e também da distribuição de vagas para alunos cotistas."

Prova com identidade

O diretor pedagógico do curso Oficina do Estudante, Célio Tasinafo, disse que é "apressado dizer que a prova da Fuvest manteve-se com a mesma estrutura tradicional de anos anteriores. Certamente, o que se pode afirmar é que foi uma prova que se modernizou, sem perder a sua identidade."
Segundo ele, o aluno que levou a sério os estudo se deu bem. "Não bastava só se manter antenado devorando notícias e estudos atuais ou se alienar completamente em meio a números, nomes e dados." 

Para Tasinafo, a avaliação da prova foi positiva. "A Fuvest trouxe questões com temas atuais e que foram objeto de debate/polêmica ao longo do ano de 2018, inclusive com utilização de textos publicados na imprensa ao longo desse ano." 

"A questão de língua portuguesa (Q. 62, Prova Q), que a partir de uma propaganda do Ministério Público do Trabalho do Rio Grande do Sul, fez referência direta às diferenças salariais entre homens e mulheres que, infelizmente, ainda predominam no mercado de trabalho brasileiro (tema que foi polêmica em nossa última campanha presidencial, inclusive com a naturalização dessa situação discriminatória por parte de importantes lideranças)". disse o diretor. 

Para ele, a questão de geografia sobre o número de refugiados em 2017 e seus principais países de origem (Q.5, Prova Q). "Problema que mobiliza a opinião pública internacional e diferentes grupos defensores dos direitos humanos, ainda que sem possibilidade de solução efetiva em curto prazo."
Tasinafo disse ainda que "a prova promoveu um diálogo temático, não tão usual, entre questões de diferentes disciplinas.Por exzemplo, as questões 76 a 79 de inglês (prova V) sobre migração para os EUA e questão 82 de história/artes (prova V) sobre a obra de L. Segall 'Navio de Emigrantes' e a questão 34 (Prova V) de biologia sobre a cobertura vacinal de doenças como sarampo, rubéola e poliomielite e a questão 63 (Prova V) de linguagens sobre o D de vacinação." 

O diretor afirmou que as questões de física e matemática foram exigentes. "Como sempre se espera da Fuvest. Exigentes e bem tradicionais; além da cobrança de temas que parecem ter se tornado exclusivo desse vestibular (perfis geomorfológicos e épocas geológicas). Em suma, o aluno que não passou ao largo da época em que vive e ao mesmo tempo estudou com afinco e de forma séria, foi o grande beneficiado pela prova da Fuvest 1ª fase de 2019." 






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